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25/12/2011

_mondego_


mondego
onde as mágoas
que dizem
teres levado?

(António José Cravo)

ahcravo.wordpress.com

14/12/2011

maria_borras


maria borras

olhos semicerrados
procuro longe
barco
homens
redes

sonho

este é um tempo
de espera
em que no regaço morno da areia
corpos se entregam ao sol
para se encherem de mar

breves momentos
de palavras feitos

não mais que o tempo
de o barco regressar
 
(António José Cravo)

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12/12/2011

_escrever_


escrever-me
dói
não escrever
dói mais

(aqui sorrio)

(António José Cravo)

_saltadoiro_3


alfredo - andar à vara à proa a "ler a ria"

ahcravo.wordpress.com

11/12/2011

_serei_


o caminho é a aventura
não sou
tudo o que quero
mas
quero ser
tudo o que sou
recuso-me a não ser
o que em mim é do que fui

serei sempre o ter sido
isso é ser

os dias caem sobre os dias
a bateira voga silenciosa
como se
algo mais que ela própria
madeira trabalhada por mãos sábias
que outras mãos
sábias também de outra arte
continuam

olho em frente
procuro um caminho por fazer
persigo a aventura

 (António José Cravo)

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10/12/2011

reflexos - 19


quando a luz nasce na água

vai pela beira da ria
caminha sem pressas de cidade
o tempo parou por momentos
para seres e estares

escuta as cores
sente como a música se desprende delas
e se faz em ti
a sinfonia que nunca sonhaste poder ser

não interrogues a ria
deixa que ela te fale e te encontre
ali onde os olhos mergulham
na superfície das coisas
para lhes encontrar a raiz

és
o encontro de ti
contigo
aqui onde as cores
são música
e a água é luz

(marina dos pescadores; torreira)

(António José Cravo)

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09/12/2011

coimbra_praça_do_comércio


as memórias da minha coimbra
têm muitos silêncios
dentro deles palavras perdidas
sonhos por sonhar

as memórias da minha coimbra
têm gente que já não
músicas espalhadas pela calçada
onde de negro alguns vão
pisando as pedras
que choram
por eles não

as memórias da minha coimbra
sou eu nelas
e o serem ainda
elas em mim

(coimbra - praça do comércio)

(António José Cravo)

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08/12/2011

_saltadoiro_2


a caminho

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_amanhã_


(..)


é este o meu infantário 

sou só olhos 
pernas não sei 
palavras não tenho 

sou só olhos 
à minha frente o mar 
o meu pai no barco 
o barco no mar 
a minha mãe nas redes 
as redes em terra 
todos no peixe 

tudo isto vejo 
em tudo me perco e não entendo 

amanhã 
ali estarei sem o saber agora 

começo a aprender 
que ser criança aqui 
é espuma 
que o mar deixa na areia 
e secará com o sol e o sal 

é este o meu infantário ... 

(torreira)

(António José Cravo)

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07/12/2011

o António Cravo_miúdo


assim comecei a amar a ria
anos 50
o bico, o moliço e os moliceiros
o meu pai 
assim me via:
miniatura de homem já

(António José Cravo)
 (O António em 1955)

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mar_do_sonho


é possível
sonhar
outro país

um país de gestos limpos
e olhos claros
o país de sophia

ombro a ombro
solidário
um país
sem fome de justiça
nem janelas com grades
nas bocas famintas

um país
onde amanhã apeteça
onde ser
não seja a dolorosa caminhada
dos dias
mas o prazer renovado de dizer:
aqui sou

um país
aberto ao mar do sonho
seja o país de todos
e não apenas de alguns

é necessário
querer esse país
a partir de hoje
a partir de ti
a partir de nós

o país que queremos
é o país que faremos

(António José Cravo)

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_marine_


marine (filha do platine, neta do ti antónio caravela)

olho o peixe
salta na rede
estrebuchando na agonia do sufoco

também isto devo aprender
a linguagem da morte
não me será jamais estranha

gostaria de brincar
com aqueles peixes prateados
as minhas bonecas de menina
vivas

mas
este não é lugar de brincar

no meu rosto
a mulher que deste tamanho já sou
contempla o trabalho que a rede encerra
em que participei
com as migalhas que tinha para dar

como são grandes estes dias!
com eles cresço e fico maior
mulher do mar
 

(António José Cravo)

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_saltadoiro


ti manel viola - a partida
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06/12/2011

_descalços_


(..)

vêm do campo
tamancas com sola de terra
mãos com luvas de calos

couves, feijão, agrião
cavar, regar, sachar
suar, costas curvadas
submissas não

aqui o pão
nasce na terra

entram em casa
descalços
para serem de novo

(condeixa - orelhudo)
António José Cravo

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reflexos - 9


regresso de lançar as redes da solheira

(chegado; murtosa)


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pequenos poemas de António José Cravo - 3


o amor está dentro de nós
disse
os dois?
perguntou-lhe


05/12/2011

pequenos poemas de António José Cravo - 2


este é o meu povo
mas
mas ainda não é o povo
que o meu povo há-de ser

_voámos_


voámos de novo
numa madrugada clara
libertos de vendas
grilhetas e guerras

sonhámos um país novo
um país puro e limpo
feito de manhãs eternas

quisemos a utopia
guardada tantos anos
nos baús de acesso restrito

voámos
demos as mãos
mais que amigos
dissemos: irmãos

corremos 
chorámos
beijámos

dissemos:
a paz
o pão
habitação

continuamos
porque ainda se não cumpriu
aquilo com que sonhámos

em abril a 25
(António José Cravo)


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salinas_ilha_da_morraceira


na ilha da morraceira, na figueira da foz, onde em tempos se fabricou um sal de altíssima qualidade, ainda hoje o é, está neste quase ao abandono.
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torreira_s._paio


regata de bateiras à vela

s. paio 2010

(torreira, setembro, s.paio, 2010)
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