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14/12/2011

Prosopopéia - Bento Teixeira


Prosopopéia

I
Para a parte do Sul onde a pequena
Ursa se vê de guardas rodeada,
Onde o céo luminoso mais serena
Tem sua influição, temperada.
Junto a Nova Lusitania ordena
A natureza, mãi bem atentada,
Um porto tão quieto e tão seguro,
Que para as curvas náos serve de muro.

II
E´ este porto tal, por estar posta
Uma cinta de pedra inculta e viva,
Ao longo da soberba e larga costa,
Onde quebra Neptuno a fúria esquiva.
Entre a praia e a pedra descomposta,
O estanhado elemento se deriva
Com tanta mansidão, que uma fateixa
Basta ter a fatal Argos aneixa.

Descripção do Recife de Pernambuco (1601)
Bento Teixeira.





08/11/2011

O Romance de Jerônimo de Albuquerque, Fundador de Natal


Jerônimo de Albuquerque Maranhão (1548-1618)


I

O grande Tupã
Senhor do Trovão
Daí-me inspiração
Mode eu cantar
Uma bela história
Coberta de glória
Da clã Maranhão.

II

O caboclo Jerônimo
Foi o fundador
E primeiro Senhor
Da casa de Cunhaú
Aonde nasceu
O povo que venceu
O triste horror

III
Do cruel preconceito
Pelo povo nativo
Que o europeu
Que o Brasil invadiu
E tentou anular
O Senhor milenar
Que aqui aconteceu.

IV

Jerônimo de Albuquerque
Era filho da índia
Chamada Maria
Filha do tuxá
Amigo maior
Do Capitão-mor
Da capitania.

V

Seu pai seu xará
É o responsável
Por esta amizade
Entre índio e cristão
Pernambuco em progresso
Segredo do sucesso
Foi a boa vontade.

VI

O terceiro Dom João
Fez a divisão
Do nosso Brasil
Em capitanias
E a de Pernambuco
Caiu no cumbuco
De um homem viril.

VII

Duarte Coelho
Morava na Índia
E se transferiu
Para Pernambuco
Olinda fazendo
E engenho moendo
Em nosso Brasil.

VIII

A cana de açúcar
Trazida da Índia
Foi a salvação
Desta capitania
Onde os caetés
Eram amigos fiéis
Do nobre cristão

IX

Que havia casado
Com a filha do chefe
Yvyrá Hovy
Que traduz-se Arco-Verde
Ou Madeira Azul
Dois nomes em um
Em tupi-guarani.

X

E essa amizade
Nasceu duma briga
Que se havia gerado
Quando Capitão
Duarte Coelho
Com seus companheiros
Haviam chegado.

XI

Por diversas vezes
A vila de Olinda
Vieram cercar
Cruéis canibais
Causando horrores
Os seus moradores
A querer devorar.

XII

O bravo Jerônimo
Em uma batalha
Caiu-lhes nas mãos
Os índios caetés
Condenaram a morrer
E seu cadáver comer
Em um grande festão.

XIII

Mesmo bem tratado
Para engordar
Jerônimo sofria
Não vivia amarrado
E lhe deram Cunhaú
Mas nove pucumã
Do seu peito pendia.

XIV

A cada lua cheia
Uma pucumã
Tiravam do seu peito
Aquilo marcava
O dia da morte
Porém a sua sorte
Lhe fez d’outro jeito

XV

Porque a cunha
Que foi escolhida
Para lhe tratar
Ficou encantada
E se apaixonou
E assim não deixou
O seu pai lhe matar.

XVI

Cinco filhos tiveram
E o terceiro deles
Jerônimo se chamou
E desse romance
Nasceu a amizade
E a paz de verdade
Pernambuco ganhou.

XVII

Já velho o seu pai
Pra diferenciar
Foi chamado de Adão
Casou com mais índias
E com todas vivia
O filho de Maria
Tem cinquenta irmãos.

XVIII

Na sua juventude
Por nome de “Torto”
Também foi conhecido
Porque em combate
Uma flecha arrancara
E um olho da cara
Assim foi perdido.

XIX

Dom Felipe ordenou
Uma fortaleza
Aqui construir
Para afastar
Os navios piratas
De negócios à cata
Com os índios tupi

XX

O Jaques Rifoles
Dos piratas franceses
Era o capitão
Que no Alecrim
Na curva do rio
Uns vinte navios
Ancorados estão

XXI

Mascarenhas Homem
Veio de Pernambuco
A ordem cumprir
Gaspar de São Perez
Desenhou com firmeza
A nossa fortaleza
Que vemos aqui.

XXII

E veio Jerônimo
Como comandante
De um pelotão
Pra falar a língua
Tupi-guarani
Falada aqui
Por índio e cristão.

XXIII

E Potiguassú
O Camarão Grande
Morava em Igapó
O potiguar maior
E fazia negócio
Com Rifoles e seu sócio
Era o maior xodó.

XXIV

Depois de Rifoles
Em 99
Foi pro Maranhão
O Capitão Albuquerque
Celebra amizade
De boa vontade
Com o Camarão

XXV

E no mês de junho
Mascarenhas Homem
Pra Olinda voltou
O caboclo Jerônimo
Ficou no comando
O forte governando
Como o Homem mandou.

XXVI

O Rei Dom Felipe
Também ordenou
Ao Governo Geral
Além da fortaleza
Fundar uma cidade
E com brevidade
Fundou-se Natal.

XXVII


Não era comum
Um filho de índia
Uma cidade fundar
Ainda mais estranho
Era ser capitão-mor
Estranheza maior
Duas vezes governar.

XXVIII

Como governou
Nossa capitania
Inveja atraiu
Veja as doações
De três sesmarias
Quele deu pra fami’a
O Rei diminuiu.

XXIX

Seus filhos Antônio
E Matias fundaram
O engenho Cunhaú
Era engenho de cana
A roda d’água movido
Na ribeira erguido
Do Curimataú.

XXX

Novamente os franceses
Estavam instalados
Em nosso Brasil
Já tinham um forte
Lá no Maranhão
Chamou camarão
E pra lá partiu.

XXXI

Porém Camarão
Já estava curuca
E não suportou
Seguindo Jerônimo
Chegou no Ceará
Esgotado de andar
Camarão se acabou.

XXXII

E naquele ano
De mil e seiscentos
E dezesseis
La Ravardière
Veio se entregar
E ficou pra morar
Junto com o português.

XXXIII

Jerônimo então
Pediu a El-Rei
Maranhão escrever
Junto ao nome Albuquerque
Pra diferenciar
Do seu pai seu xará
E o povo conhecer

XXXIV

No começo o seu nome
Era o mesmo do pai
Pernambucano Adão
Seu Abel aqui veio
E assim foi formada
A família afamada
Albuquerque Maranhão.

SALES, Aucides B. O Romance de Jerônimo de Albuquerque, Fundador de Natal.Natal:Núcleo Cultural Augusto Maranhão, Projeto Romanceiro; Fundação José Augusto, 2004.

20/09/2011

Synagogue Kahal Zur Israel - The First in the Americas


Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco


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