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18/04/2014
Gabriel García Márquez (1928-2014) (Parte I)
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| cabrita de pé nos cabeços da ria hoje morreu gabo e não morreu (“gabriel garcia marquez ou a história de um deicídio” mario vargas llosa) o tempo gabriel o tempo o tempo que tu tão bem construíste e desconstruíste algures na floresta de maconde um coronel mortes anunciadas (a tua a nossa a de todos) cem anos putas tristes quantas histórias fantasticamente reais os buendia sempre o tempo levou-te o tempo de estares aqui gabo a névoa envolve tudo a labuta dos dias da escrita dos jornais dos livros dos editores das palavras gabo por entre uma outra névoa três homens arrancam da lama da ria com que sobreviver nesta terra nunca te leram não sabem quem és mas foi para eles foi por eles que escreveste abraço gabo (ria de aveiro; torreira) (António José Cravo) 17 de Abril de 2014 http://ahcravo.wordpress.com/2014/04/17/hoje-morreu-gabo-e-nao-morreu/ |
Postado por Letícia Valle
25/12/2013
alcançar o céu
Boa tarde, pessoal! E Feliz Natal! xD
Anteontem, na página Word Shakers, Jordanne postou esta foto abaixo, e disse que uns dias atrás o céu estava assim lá em Grandview, Washington. Daí ela pensou em como Liesel descreveria isso para Max, e perguntou como nós descreveríamos. Tentei escrever uma frase em inglês, mas não consegui, depois de ver o que ela e Hannah escreveram. Só conseguia pensar: COMO vou descrever uma perfeição dessas se elas já disseram tudo? Pensei durante uma hora, e eis que meu bloqueio saiu e escrevi isso. :) Espero que gostem!!
Beijos!
Foto por Jordanne Michelle Babcock
Postado por Letícia Valle
26/11/2013
que tal um beijo, Saumensch?
Oi, minha gente!
Mais um "trabalho" meu aqui, que fiz acho que sexta-feira de madrugada. *-* Eu estava querendo muito escrever algo dedicado ao Rudy, e aqui está. Enviei para o Markus uma carta e mais os dois poemas, hoje! A melhor sensação do mundo é essa, vocês não têm noção... É incrível você conseguir dizer tudo o que lhe surpreendeu no livro, e o quanto esse livro é importante na sua vida. Deixar o autor saber que exerceu uma influência tão grande na sua escrita, nos seus dias.
Enquanto eu escrevia a carta, realmente me senti como se fosse a Liesel escrevendo o livro dela no porão, até minha mãe disse que eu parecia uma criança, hahaha! Mas quem não se sente assim, escrevendo para o seu autor favorito no mundo??
Quando terminei de escrever isso fiquei de coração partido, mas tão feliz que parecia que eu tava em outro planeta. É de chorar, coitado do Rudy... *lágrimas nos olhos*
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| que tal um beijo, Saumensch? Alles ist Scheisse sem você Saukerl Jesse Owens como você dizia Alles ist Scheisse você só me pedia um beijo e eu me prometi nunca enquanto vivêssemos eu beijaria você depois que corremos na lama e aí você gostou de me pedir isso você gostava tanto que entrou no rio e anunciou O Assobiador! você precisava de uma vitória lá no rio Amper mas você o pegou para mim porque o livro era da sua Saumensch a Saumensch à qual você pedia que tal um beijo? assim como você fez quando estava com tanto frio na água dezembrina um menino dos cabelos cor de limão entrou no rio Amper que tal um beijo, Saumensch? disse acho que foi aí que eu me apaixonei por você Jesse Owens o doido do Rudy todo sujo de carvão correndo pelo campo meu Jesse Owens que me deu um nome roubadora de livros na noite em que roubei um livro da biblioteca do prefeito e eu ri tanto porque foi ele foi ele que me chamou assim é eu gostei de ouvir isso lembra de quando eu caí no futebol? você veio perguntar se eu estava bem então meu pai disse o namorado dela está aí e eu disse não ele não é meu namorado mas depois eu pensei numa ideia eu passei a noite pensando nisso antes de receber de presente A Sacudidora de Palavras onde você estava estampado com as medalhas as medalhas que provaram que você era bom atleta e naquele Natal quando meu papai e o seu estavam na guerra você caiu no meio da alfaiataria e eu quis tanto beijar você mas eu só disse Frohe Weihnachten feliz Natal mas não foi um Natal feliz você também me pediu para eu ler no abrigo e eu li eu li até meu coração ficar tão cansado e eu me lembro de quando eu falei que tinha contado de você ao meu amigo do porão e quem era ele por que eu tinha feito tudo aquilo por que eu tinha gritado para a multidão as palavras da Sacudidora de Palavras por quem eu procurava toda vez que a gente via a caminhada por que eu tinha falado com um homem que tinha os cabelos de gravetos e olhos alagadiços e chorado e recebido as chicotadas e você me segurou me parou para eu não ir de novo e eu não agradeci nós ficamos ali parados juntos abraçados quando eu contei você leu em voz alta cabelos da cor de limões embaixo do desenho você tocou nas palavras você me perguntou você falou de mim com ele? eu quis de verdade que você me desse um beijo mas eu só pude dizer é claro que falei de você com ele e aí eu percebi que você era o amor da minha vida aí eu senti a turbulência do meu amor por você no fundo do meu coração Saukerl mas eu não sabia de nada eu não sabia e a morte disse que você deve ter ficado com medo do meu beijo porque você me amava tanto a última vez que você pediu foi quando entrou no rio você nunca mais me disse que tal um beijo e eu senti saudade disso uma saudade tão grande no mundo e eu não sabia é tudo uma merda sem você Saukerl sem você meu Jesse Owens que me escreveu a carta de amor mais bonita e até levou uma surra por isso a watschen de irmã Maria cara Saumensch assim você começou aquela carta meu Jesse Owens que tinha o coração imenso que tinha sonhos maiores ainda Jesse Owens que vai sempre ter os cabelos da cor de limões acorde Rudy acorde Saukerl eu amo você Rudy não sabe que eu amo você? acorde e finalmente você o recebeu seus lábios tinham gosto de poeira mas eram tão doces a morte disse que tinha certeza que se você visse isso você rodopiaria no céu de felicidade ela disse que você gostaria tanto de saber que você estava em meio a uma cordilheira de escombros no dia em que eu beijei você que você amaria me ver agachada a seu lado e o meu beijo até ela teve coração para dizer isso até ela disse esse menino me faz chorar sempre e teve quem dissesse há uma menina na beira do rio Amper ela está chorando e murmurando algo sobre um beijo que tal um beijo que tal um beijo ah Rudy Alles ist Scheisse sem você menino dos cabelos cor de limões
Recife, 23 de Novembro de 2013.
Letícia Valle |
Postado por Letícia Valle
11/11/2013
quem roubou o céu
Postado por Letícia Valle
23/08/2013
Il Postino #6
Oi, minha gente,
Hoje, eu tentei, JURO QUE TENTEI, gravar o video pra vocês, mas ficou difícil pra mim, tentei três vezes, ficou até bom, mas não o bastante. Vão as fotos mesmo, porque eu estou MUITO FELIZ de ter recebido esses livros lindos!!
Margarida, minha amiga-irmã do facebook, já tinha me mandado alguns há mais de um ano, mas eu não tinha a ideia ainda de fazer uma coluna de correio. Chegou a segunda ruma de livro, acordei quase de meio-dia com o carteiro tocando a campainha!! Que alegriaaaa *-*
Tava tão preocupada de eles não chegarem, mas enfim, ESTÃO AQUI!!
Então, vocês sabem que o primeiro que eu pedi a ela foi um de Mia Couto, que eu tava doida pra ler algo dele. Já tinha lido uns trechos, e amei muito, coloquei até um dos poemas dele aqui no blog, tão bonito que não queria nem postar nada depois.
O que ela me mandou se chama Vozes Anoitecidas, e daqui a pouco, de curiosa, vou começar a ler.
Ela disse também que ia me enviar Memorial do Convento, de Saramago, mas não pôde porque setembro começam as aulas lá, então o livro esgota rapidinho, aí o enviado foi Intermitências da Morte. Os livros de Saramago e Couto são editados pela Companhia das Letras aqui no Brasil, e os que ela enviou foram todos da BIS LeYa.
Eu já sabia que ia ganhar outro de Florbela Espanca, dessa vez os contos e diário no mesmo livro. Tenho o de Sonetos, que amo de verdade. Florbela bem merece o título de poetisa-musa portuguesa.
Os outros, eu não sabia quais seriam, e estou realmente ansiosa para ler todos. Esse último é um caderno novo, que eu pedi a ela também, porque o meu já está quase acabando. Acho tão lindos os notebooks da book.it! Meu sonho era ir numa livraria de lá.
Vieram também alguns marcadores e um postal, adorei tudo! Thank you so much, miss!! =)
Postado por Letícia Valle
23/05/2013
Pergunta-me (Mia Couto)
Postado por Letícia Valle
05/04/2013
Paul Celan (1920-1970)
| Foto do passaporte de Paul Celan, 1938. Fuga Fúnebre (1948) Leite preto bebemos da aurora toda noite meio-dia e bebemos e toda manhã toda noite. bebemos bebemos. cavamos no ar onde há lugar para a gente deitar-se numa cova. há um homem na casa que brinca com cobras que escreve que escreve no ocaso à Alemanha natal Margarete suas tranças douradas que ele escreve e vai diante da casa e as estrelas fulguram chamar assobiando seus cães chamar seus judeus assobiando mandando-os cavarem na terra uma cova ele manda tocarmos agora uma dança Leite preto da aurora bebemos você toda noite bebemos você de manhã meio-dia e de tarde bebemos bebemos há um homem que brinca com cobras que escreve que escreve no ocaso à Alemanha natal Margarete suas tranças douradas Sulamita suas tranças cinzentas cavamos no ar onde há lugar para a gente deitar-se numa cova Ele manda vocês aí escavarem mais fundo este solo e vocês lá cantando e tocando tem um ferro em seu cinto que pega e que brande tem olhos azuis vocês com as pás escavando mais fundo e vocês lá tocando essa dança Leite preto da aurora bebemos você toda noite bebemos você de manhã meio-dia e de tarde bebemos bebemos há um homem que está Margarete suas tranças douradas Sulamita suas tranças com cinzas na casa e que a morte é um mentor da Alemanha ele berra ao ferirem mais fundo os violinos vocês flutuarão como ar a fumaça e vão ter com lugar para deitar-se com uma cova nas nuvens Leite preto da aurora bebemos você toda noite bebemos você meio-dia é que a morte é um mister da Alemanha bebemos você toda noite e manhã nós bebemos bebemos é que a morte é um mentor da Alemanha com olhos azuis que acerta uma bala de chumbo em você sempre acerta na mosca há um homem que está Margarete suas tranças douradas na casa que solta cachorros na gente e que no ar nos concede uma cova que brinca com cobras e sonha é que a morte é um mister da Alemanha Margarete suas tranças douradas Sulamita suas tranças em cinzas. tradução de Nelson Ascher in: Schoá - Sepultos nas Nuvens. Gérard Rabinovich. São Paulo: Perspectiva, 2004. "Alors vous montez en fumée dans les airs. Alors vous avez une tombe au creux des nuages. On n'y est pas couché à l'étroit." Paul Celan |
Postado por Letícia Valle
Bertold Brecht (1898-1956)
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Bertold Brecht (1898-1956)
INTERTEXTO
Primeiro levaram os negros Mas não me importei com isso Eu não era negro Em seguida levaram alguns operários Mas não me importei com isso Eu também não era operário Depois prenderam os miseráveis Mas não me importei com isso Porque eu não sou miserável Depois agarraram uns desempregados Mas como tenho meu emprego Também não me importei Agora estão me levando Mas já é tarde. Como eu não me importei com ninguém Ninguém se importa comigo."
Bertold
Brecht
Roland Barthes sobre o teatro de Brecht
"Au moment même ou il liait ce théâtre de la signification a une pensée politique, Brecht, si l'on peut dire, affirmait le sens mais ne le remplissait pas. Certes, son théâtre est idéologique, plus franchement que beaucoup d'autres: il prend parti sur la nature, le travail, le racisme, le fascisme, l'histoire, la guerre, l'aliénation; cependant c'est un théâtre de la conscience, non de l'action, du probleme, non de la reponse; comme tout langage littéraire, il sert a formuler, non a faire.
Toutes les pièces de Brecht se terminent implicitement par un Cherchez l'issue adressé au spectateur au nom
de ce dechiffrement auquel la materialité du spectacle adressé au spectateur au nom de ce dechiffrement auquel la materialité du spectacle doit le conduire. Le rôle du systéme n'est pas ici de transmettre un message positif (ce n'est pas un theatre des signifiés), mais de faire comprendre que le monde est un object qui doit être dechiffré (c'est un theatre des signifiants)"
"Ao mesmo momento em que se ligava esse teatro da significação a um pensamento político, Brecht, se o podemos dizer, afirmava o sentido mas não o completava. Certamente, seu teatro é ideológico, mais francamente que muitos outros: ele pretende partir da natureza, do trabalho, do racismo, do fascismo, da história, da guerra, da alienação; entretanto, é um teatro da consciência e não da ação, do problema, da resposta; como toda linguagem literária, ele serve para formular, não para fazer.
Todas as peças de Brecht terminam implicitamente por um cherchez l'issue endereçado ao espectador em nome deste deciframento ao qual a materialidade do espetáculo deve conduzir. O papel do sistema não é, aqui, de transmitir uma mensagem positiva (não é um teatro dos significados), mas de fazer compreender que o mundo é um objeto que deve ser decifrado (é um teatro dos significantes)."
ECO, Umberto. Obra Aberta. 8ª edição. São Paulo: Editora Perspectiva, 1991. p. 27.
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Postado por Letícia Valle
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