31/01/2013
Geografia Pessoal - Ariano Suassuna na "Cadernos de Literatura Brasileira"
Postado por Letícia Valle
O Monumento Armorial de D. Ariano Villar Suassuna para o Reino do Brasil
Revista "Cadernos de Literatura Brasileira: Ariano Suassuna"
Fotografia tirada por Euclydes Villar das duas Pedras do Reino.
SUASSUNA, Ariano. Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta,
romance armorial popular brasileiro. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1976. 4a edição. 635 p.
Insígnia astrológica de Dom Pedro Dinis Quaderna, o Decifrador.
Postado por Letícia Valle
16/01/2013
93º aniversário de João Cabral de Melo Neto a 09.01.2013
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João Cabral de Melo Neto (1920-1999)O universo poético de João Cabral de Melo Neto, autor inserido no Modernismo brasileiro, é principalmente, o da zona da mata e do sertão nordestino. Sua poesia remete o leitor constantemente às cidades de Olinda e de Recife com seus casarões antigos, seus mares e rios importantes como o Beberibe e o Capibaribe, e aos canaviais da zona da mata pernambucana. Mas também remete para a vegetação escassa da caatinga e à dor do agreste brasileiro. Por isso mesmo, dois de seus livros, Pedra do sono, de 1942 e A educação pela pedra, de 1966, trazem no título a idéia de pedra, símbolo da secura sertaneja e do solo pedroso da região. |
Postado por Letícia Valle
11/01/2013
[The Book Thief] A Sacudidora de Palavras (Max Vandenburg)
A
SACUDIDORA DE PALAVRAS
Pequena
coletânea de pensamentos para Liesel Meminger
PÁGINA
116
Liesel: quase risquei esta
história.
Achei que talvez você já
estivesse crescida demais para
esse tipo de conto, mas pode
ser que ninguém esteja.
Pensei em você, nos seus livros
e palavras,
e esta história estranha me
veio à cabeça.
Espero que você encontre alguma
coisa boa nela.
ERA UMA VEZ um homenzinho estranho, que decidiu três detalhes importantes sobre sua vida:
1. Ele repartiria o cabelo do lado contrário de todas as pessoas.
2. Criaria para si mesmo um bigode pequeno e esquisito.
3. Um dia, ele dominaria o mundo.
ocorreu-lhe o plano
perfeito. Ele viu uma mãe passeando com o filho. A horas tantas, ela repreendeu
o garotinho, até que ele acabou começando a chorar. Em poucos minutos, ela lhe
falou muito baixinho, e depois disso ele se acalmou e até sorriu.
O
homenzinho correu até a mulher e a abraçou. “Palavras!” E sorriu.
“O quê?”
Mas
não houve resposta. Ele já se fora.
Sim,
o Führer decidiu que dominaria o mundo com palavras. “Jamais dispararei uma
arma.” Concluiu. “Não precisarei fazê-lo.” Mesmo assim, não se precipitou.
Reconheçamos nele ao menos isso. Ele não tinha nada de burro. Seu primeiro
plano de ataque foi plantar as palavras em tantas áreas de sua terra natal
quantas fosse possível.
Plantou-as dia e noite, e as cultivou.
Observou-as
crescer, até que grandes florestas de palavras acabaram crescendo por toda a
Alemanha. Era uma nação de pensamentos cultivados.
ENQUANTO
as palavras cresciam, nosso jovem Führer plantou ainda sementes para criar
símbolos, e também estas se achavam bem perto do pleno desabrochar. Era chegada
a hora. O Führer estava pronto.
Convidou
seu povo a se aproximar de seu glorioso coração, acenando-lhe com suas palavras
melhores e mais feias, colhidas à mão em suas florestas. E as pessoas vieram.
Todas
foram colocadas numa esteira rolante e conduzidas por uma máquina-baluarte, que
lhes dava uma vida inteira em dez minutos. Eles eram alimentados com palavras.
O tempo desapareceu e eles passaram a saber tudo o que precisavam saber. Foram
hipnotizadas.
Em
seguida, foram equipadas com seus símbolos, e todas ficaram felizes.
Em pouco tempo, a demanda das encantadoras
palavras medonhas e dos símbolos aumentou a tal ponto que, com o crescimento
das florestas, muitas pessoas
se tornaram necessárias para cuidar delas. Algumas eram empregadas para trepar
nas árvores e jogar as palavras para as que estavam embaixo. Em seguida, as
palavras eram diretamente introduzidas no restante do povo do Führer, para não
falar nos que voltaram para pedir mais.
As
pessoas que trepavam nas árvores eram chamadas de sacudidoras de palavras.
Os
melhores sacudidores de palavras eram os que compreendiam o verdadeiro poder
delas. Eram os que conseguiam subir mais alto. Um desses sacudidores de
palavras era uma menininha magricela. Ela era famosa como a melhor sacudidora
de palavras de sua região, porque sabia o quanto uma pessoa podia ficar
impotente SEM as palavras.
Por
isso, ela se mostrava capaz de subir mais alto que qualquer outra pessoa.
Desejava as palavras. Tinha fome de palavras.
Um
dia, porém, ela conheceu um homem que era desprezado por sua pátria, embora
tivesse nascido nela. Os dois se tornaram bons amigos, e, quando o homem
adoeceu, a sacudidora de palavras deixou uma única lágrima cair sobre o rosto
dele. A lágrima era feita de amizade – uma só palavra -, e secou e se tornou
uma semente, e, ao voltar à floresta na vez seguinte, a menina plantou essa
semente entre as outras árvores. Regou-a todos os dias.
A
princípio, não aconteceu nada, porém, uma tarde, ao verificar a semente, depois
de um dia inteiro sacudindo palavras, a menina viu que despontara um pequeno
broto. Fitou-o por muito tempo.
O
broto foi crescendo dia a dia, mais depressa do que todos os demais, até se
transformar na árvore mais alta da floresta. Todos foram vê-la. Todos
murmuraram sobre ela e esperaram... pelo Führer.
Inflamado,
ele deu ordens imediatas de que a árvore fosse derrubada. Foi nessa hora que a
sacudidora de palavras abriu caminho pela multidão. Prostrou-se sobre os
joelhos e as mãos.
-
Por favor – exclamou -, o senhor não pode derrubá-la.
Mas
o Führer não se comoveu. Não podia dar-se ao luxo de abrir exceções.
Enquanto
a sacudidora de palavras era arrastada para longe, ele se voltou para o homem
que era seu braço-direito e fez um pedido:
-
O machado, por favor.
NESSE
MOMENTO, a sacudidora de palavras debateu-se até se libertar. Saiu correndo.
Acercou-se da árvore, e, enquanto o Führer golpeava o tronco com seu machado, trepou
até chegar aos galhos mais altos. As vozes e as batidas do machado
prosseguiram, abafadas. As nuvens foram passando – como monstros brancos de
coração cinzento. Amedrontada, mas teimosa, a sacudidora de palavras continuou
lá em cima. Esperou a árvore tombar.
Mas
a árvore não se mexeu.
Passaram-se
muitas horas, porém, apesar disso, o machado do Führer não conseguiu tirar uma
única lasca do tronco. Num estado próximo do colapso, ele ordenou que outro
homem continuasse.
Passaram-se
dias.
As
semanas se sucederam.
Nem
cento e noventa e seis soldados conseguiram causar o menor impacto na árvore da
sacudidora de palavras.
-
Mas como é que ela faz para comer?
-
perguntaram as pessoas. – Como é que
dorme?
O
que elas não sabiam era que outros sacudidores de palavras jogavam mantimentos,
e que a menina descia até os galhos mais baixos para recolhê-los.
NEVOU.
Choveu. Vieram e se foram estações. A sacudidora de palavras permaneceu.
Quando
o último machadeiro desistiu, gritou para ela:-Sacudidora
de palavras! Você pode descer agora! Não há ninguém capaz de derrubar essa
árvore!
A
sacudidora de palavras, que mal conseguia discernir as frases do homem,
respondeu:
-
Não, obrigada. – disse, pois sabia que só ela é que mantinha a árvore de pé.
NINGUÉM
era capaz de dizer quanto tempo levou, mas, uma tarde, entrou na cidade um novo
machadeiro. Sua sacola parecia pesada demais para ele. Seus olhos se
arrastavam. Seus pés pendiam de exaustão.
-
A árvore – perguntou ele ao povo -, onde fica a árvore?
Uma
platéia o seguiu, e, quando ele chegou, as nuvens tinham encoberto as regiões
mais altas dos galhos.
A
sacudidora de palavras ouviu as pessoas gritarem que chegara um novo
machadeiro, para pôr fim a sua vigília.
-
Ela não descerá para ninguém – diziam as pessoas.
Não
sabiam quem era o machadeiro, e não sabiam que ele não se desanimava.
O
rapaz abriu a sacola e tirou uma coisa muito menor que um machado.
As
pessoas riram, dizendo:
-
Você não pode derrubar uma árvore com um martelo velho!
O
rapaz não lhes deu ouvidos. Apenas vasculhou sua sacola, à procura de pregos.
Pôs três deles na boca e tentou martelar o quarto na árvore. Nessa época, os
primeiros galhos já eram extremamente altos, e ele calculou que precisaria de
quatro pregos, a fim de usá-los como apoios para os pés e chegar até lá.
-
Olhem para esse idiota – rugiu um dos espectadores. – Ninguém mais conseguiu
derrubá-la com um machado, e esse bobalhão acha que conseguirá com...
O
homem calou-se.
O
PRIMEIRO prego entrou na árvore e foi fixado com firmeza, após cinco
marteladas. Depois entrou o segundo, e o rapaz começou a subir.
No
quarto prego, aproximava-se da copa e continuou a subida. Sentiu-se tentado a
chamar enquanto o fazia, mas resolveu que não.
A
subida pareceu durar quilômetros. Ele levou muitas horas para atingir os
últimos galhos e, ao fazê-lo, encontrou a sacudidora de árvores adormecida em
suas cobertas e nas nuvens.
Observou-a
durante vários minutos.
O
calor do sol aquecia o teto alto de nuvens.
O
rapaz estendeu a mão, tocou no braço da sacudidora de árvores, e a menina
acordou.
Ela esfregou os olhos e, depois de um longo estudo do rosto do rapaz, perguntou:
-
É você mesmo?
Será
que foi do seu rosto, pensou, que tirei a semente?
O
homem acenou que sim.
Seu
coração oscilou e ele se agarrou com mais força aos ramos.
-
Sou.
JUNTOS,
os dois ficaram no topo da árvore. Esperaram as nuvens desaparecer e, quando
elas se foram, puderam ver o restante da floresta.
-
Nem esta aqui também. – disse o rapaz, e olhou para o galho que segurava sua
mão.
Estava
certo.
Depois
de olharem e conversarem bastante, os dois desceram. Deixaram para trás os
cobertores e as sobras de comida.
As
pessoas mal podiam acreditar no que viam e, no instante em que a sacudidora de
palavras e o rapaz puseram os pés no mundo, a árvore finalmente começou a
exibir as marcas das machadadas. Surgiram machucados. Abriram-se fendas no
tronco e a terra começou a tremer.
-
Ela vai cair! – gritou uma moça. – A árvore vai cair!
Tinha
razão. A árvore da sacudidora de palavras, com todos os seus quilômetros e
quilômetros de altura, começou lentamente a se inclinar. Soltou um gemido e foi
sugada pelo chão. O mundo sacudiu e, quando enfim tudo se acalmou, a árvore
ficou estendida em meio ao restante da floresta. Jamais conseguiria destruir
toda ela, porém, que mais não fosse, uma trilha de cor diferente foi escavada
em seu meio.
A
sacudidora de palavras e o rapaz subiram no tronco horizontal. Abriram caminho
por entre os galhos e começaram a andar. Ao olharem para trás, notaram que a
maioria dos espectadores tinha começado a voltar para seus lugares. Lá dentro.
Lá fora. Na floresta.
Mas,
ao seguirem andando, eles pararam várias vezes para escutar. Julgaram ouvir
vozes e palavras às suas costas, na árvore da sacudidora de palavras.
ZUSAK, Markus. A Menina que Roubava Livros. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2007. Trad. Vera Ribeiro. pp. 384-391.
Postado por Letícia Valle
09/01/2013
[The Book Thief] O Vigiador (Max Vandenburg)
- A TROCA DE PESADELOS -
A menina: Diga, o que você vê quando sonha assim?
O judeu: ...Eu me vejo virando as costas e dando adeus.
A menina: Também tenho pesadelos.
O judeu: O que você vê?
A menina: Um trem, e meu irmão morto.
O judeu: Seu irmão?
A menina: Ele morreu quando eu me mudei para cá. no caminho.
A menina e o judeu, juntos: Ja - sim.
(ZUSAK, Markus. A Menina que Roubava Livros. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2007. Trad. Vera Ribeiro. p. 196)
ZUSAK, Markus. A Menina que Roubava Livros. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2007. Trad. Vera Ribeiro. pp. 200 a 212.
Postado por Letícia Valle
07/01/2013
[RESENHA] A Menina que Roubava Livros - Markus Zusak
UMA
SOBREVIVENTE — A ROUBADORA DE LIVROS NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
![]()
“(...)
— Uma
pequena teoria —
As
pessoas só observam as cores do dia no começo e no fim, mas, para mim, está
muito claro que o dia se funde através de uma multidão de matizes e entonações,
a cada momento que passa. Uma só hora pode consistir em milhares de
cores diferentes. Amarelos céreos, azuis borrifados de nuvens. Escuridões enevoadas.
No meu ramo de atividade, faço questão de notá-los.
Já que aludi a ele, o único dom que me salva
é a distração. Ela preserva minha sanidade. Ajuda-me a aguentar,
considerando-se há quanto tempo venho executando este trabalho. O problema é:
quem poderia me substituir? (...) Nem preciso dizer que tiro férias à
prestação. Em cores.
Mesmo assim, é possível que você pergunte:
por que é mesmo que ela precisa se distrair? De que precisa se distrair? |
Postado por Letícia Valle
28/12/2012
A Lisboa Ultramarina (I)
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| Pintura de Romero de Andrade Lima http://www.romerodeandradelima.com.br/ral/galeria11_ariano/pages/06.htm Exposição "Memória Armorial", em homenagem ao seu tio e padrinho Ariano Suassuna Outubro/09 |
![]() |
Artur Afonso
Ao meu caro amigo Infante Dom Artur Afonso
Artur... Meu Dom Sebastião... Alumioso... Encantado... Perdido nas Areias Inclementes de Alcácer-Quibir... Quanto esperam Portugal e Brasil pelo teu regresso... Creio que parto incontinenti, na primeira nau, Para o Estreito de Gibraltar... Teu Cervantes pai, Nadir Afonso, não há de expulsar-me Do nobre clã dos Afonso, descendente Do primeiro Rey de Portugal, Dom Afonso Henriques. Levarei apenas minha chávena de chá, A tira de couro com que prendo meus livros preferidos, A pena, a tinta, o papiro e duas mudas de roupa de montar. Chegarei, Passo antes no País Basco. Falarei com Unamuno, escutarei Calderón de la Barca. Aguarda-me. "A vida é sonho, e os sonhos, sonhos são." Da Infanta da Casa de Dom Jerónimo de Albuquerque,
com os cumprimentos da sua mãe
marana, Sarah d'Albuquerque Maranhão Bezerra Valle.
Letícia d'Albuquerque Maranhão Valle.
Recife, XXVIII/XII/MMXII.
![]() |
viladobispo-fotosantigas.blogspot.com
Postado por Letícia Valle
26/12/2012
Sonnet CXVI (William Shakespeare)
Sonnet CXVI
Let me not to
the marriage of true minds
Admit impediments.
Love is not love
Which alters when
it alteration finds,
Or bends with the
remover to remove:
O no! it is an
ever-fixed mark
That looks on
tempests and is never shaken;
It is the star to
every wandering bark,
Whose worth's
unknown, although his height be taken.
Love's not Time's
fool, though rosy lips and cheeks
Within his bending
sickle's compass come:
Love alters not
with his brief hours and weeks,
But bears it out
even to the edge of doom.
If
this be error and upon me proved,
I
never writ, nor no man ever loved.
Soneto CXVI
À sagrada união de almas duas, fiéis,
Entraves não admito: amor não é amor
Que se altera se encontra alguma alteração,
Ou se inclina a mudar ao ver o que é mutável.
Oh! não, é sempre um marco eternamente erguido;
Imóvel, testemunha, o furor da tormenta;
Astro a que toda nau errante se reporta,
De incógnito valor, se bem que mensurável.
Não é do Tempo o bobo, embora venha a sua
Curva foice atingir faces e lábios rubros
Não lhe abalam o curso horas breves, semanas;
Até a hora da morte ele fica imutável.
Se puderem provar que me tenha enganado,
Eu jamais escrevi, ninguém jamais amou.
Shakespeare, William. Obra Completa. Vol. III. Reimpressão da 1ª edição. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1988. p. 861.
Postado por Letícia Valle
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