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| O obituário que o Jornal do Brasil fez para o historiador francês Fernand Braudel (1902-1985). Fonte: www.jblog.com.br Através da página "Café História", no Facebook: facebook.com/CafeHistoria |
08/03/2013
Fernand Braudel (1902-1985)
Postado por Letícia Valle
Concurso de Monografias - Prêmio APERJ 2013
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| Através da página "Café História", no Facebook: https://www.facebook.com/CafeHistoria |
Postado por Letícia Valle
06/03/2013
Reflexões para o Dia Internacional da Mulher #5
REFLEXÕES PARA O DIA INTERNACIONAL DA MULHER 5
Por Nara Rúbia Ribeiro
Interessantes os comentários deixados na Página acerca de situações trazidas à Literatura, na obra de Mia Couto, no que pertine às violências físicas e psíquicas sofridas pelas mulheres que permeiam e até protagonizam a suas estórias.
Ponderemos, pois:
1 - Quando os costumes e as tradições de dado povo colocam em xeque a dignidade da pessoa (da mulher, neste caso), o que deve prevalecer, a tradição ou a dignidade do indivíduo?
Organismos internacionais devem silenciar diante de violências diversas sofridas por mulheres, como restrição de direitos, agressões físicas e até mesmo mutilações, em nome do "respeito à cultura"?
Costumes e tradições hoje consolidados não teriam um marco histórico? Assim sendo, não poderia esta geração dar início a costumes e tradições inovadores, condizentes com o respeito e o tratamento isonômico entre homens e mulheres?
Nara
https://www.facebook.com/pages/Mia-Couto/298257536887970
Por Nara Rúbia Ribeiro
Interessantes os comentários deixados na Página acerca de situações trazidas à Literatura, na obra de Mia Couto, no que pertine às violências físicas e psíquicas sofridas pelas mulheres que permeiam e até protagonizam a suas estórias.
Ponderemos, pois:
1 - Quando os costumes e as tradições de dado povo colocam em xeque a dignidade da pessoa (da mulher, neste caso), o que deve prevalecer, a tradição ou a dignidade do indivíduo?
Organismos internacionais devem silenciar diante de violências diversas sofridas por mulheres, como restrição de direitos, agressões físicas e até mesmo mutilações, em nome do "respeito à cultura"?
Costumes e tradições hoje consolidados não teriam um marco histórico? Assim sendo, não poderia esta geração dar início a costumes e tradições inovadores, condizentes com o respeito e o tratamento isonômico entre homens e mulheres?
Nara
https://www.facebook.com/pages/Mia-Couto/298257536887970
Postado por Letícia Valle
Reflexões para o Dia Internacional da Mulher #4
REFLEXÕES PARA O DIA INTERNACIONAL DA MULHER 4
Chega-me ainda a voz de meu velho pai como se ele estivesse vivo. Era essa voz que fazia Deus existir. Que me ordenava que ficasse feia, desviçosa a vida inteira. Eu acreditava que nada era mais antigo que meu pai. Sempre ceguei em obediência, enxotando tentações que piripirilampejavam a minha meninice.
MIA COUTO
No conto "Saia almarrotada", do livro "O Fio das Missangas"
Photo by © Jacques Taberlet
Chega-me ainda a voz de meu velho pai como se ele estivesse vivo. Era essa voz que fazia Deus existir. Que me ordenava que ficasse feia, desviçosa a vida inteira. Eu acreditava que nada era mais antigo que meu pai. Sempre ceguei em obediência, enxotando tentações que piripirilampejavam a minha meninice.
MIA COUTO
No conto "Saia almarrotada", do livro "O Fio das Missangas"
Photo by © Jacques Taberlet
através da página Mia Couto, no Facebook:
Postado por Letícia Valle
Reflexões para o Dia Internacional da Mulher #3
REFLEXÕES PARA O DIA INTERNACIONAL DA MULHER 3
Apenas quando chorava me sobrevinham belezas. Só a lágrima me desnudava, só ela me enfeitava. Na lágrima flutuava a carícia desse homem que viria. Esse aprincesado me iria surpreender. E me iria amar em plena tristeza. Esse homem me daria, por fim, um nome. Para o meu apetite de nascer, tudo seria pouco, nesse momento.
MIA COUTO
No conto "Saia almarrotada", do livro "O Fio das Missangas"
Photo by © Nicholas Wiesnet
Apenas quando chorava me sobrevinham belezas. Só a lágrima me desnudava, só ela me enfeitava. Na lágrima flutuava a carícia desse homem que viria. Esse aprincesado me iria surpreender. E me iria amar em plena tristeza. Esse homem me daria, por fim, um nome. Para o meu apetite de nascer, tudo seria pouco, nesse momento.
MIA COUTO
No conto "Saia almarrotada", do livro "O Fio das Missangas"
Photo by © Nicholas Wiesnet
através da página Mia Couto, no Facebook:
Postado por Letícia Valle
Reflexões para o Dia Internacional da Mulher #2
REFLEXÕES PARA O DIA INTERNACIONAL DA MULHER 2
A mim, quando me deram a saia de rodar, eu me tranquei em casa. Mais que fechada, me apurei invisível, eternamente nocturna. Nasci para cozinha, pano e pranto. Ensinaram-me tanta vergonha em sentir prazer, que acabei sentindo prazer em ter vergonha.
MIA COUTO
No conto "Saia almarrotada", do livro "O Fio das Missangas"
Photo by © Eric Lafforgue
A mim, quando me deram a saia de rodar, eu me tranquei em casa. Mais que fechada, me apurei invisível, eternamente nocturna. Nasci para cozinha, pano e pranto. Ensinaram-me tanta vergonha em sentir prazer, que acabei sentindo prazer em ter vergonha.
MIA COUTO
No conto "Saia almarrotada", do livro "O Fio das Missangas"
Photo by © Eric Lafforgue
através da página Mia Couto, no Facebook:
Postado por Letícia Valle
Reflexões para o Dia Internacional da Mulher #1
REFLEXÕES PARA O DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Nós, mulheres, estamos sempre sob a sombra da lâmina:
impedidas de viver enquanto novas; acusadas de não morrer quando já velhas.
MIA COUTO
No livro "A Varanda do Frangipani"
Photo by © Pierangelo Gramignola
Nós, mulheres, estamos sempre sob a sombra da lâmina:
impedidas de viver enquanto novas; acusadas de não morrer quando já velhas.
MIA COUTO
No livro "A Varanda do Frangipani"
Photo by © Pierangelo Gramignola
através da página Mia Couto, no Facebook:
Postado por Letícia Valle
"Pirata", por Sophia de Mello Breyner Andresen
Sou o único homem a bordo do meu barco.
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.
Gosto de uivar no vento com os mastros
E de me abrir na brisa com as velas,
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.
A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo deste sonho e nunca durmo."
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.
Gosto de uivar no vento com os mastros
E de me abrir na brisa com as velas,
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.
A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo deste sonho e nunca durmo."
Postado por Letícia Valle
A poetisa mineira Adélia Prado, por Gabriel Chalita
CÂNDIDA ADÉLIA, PRADO DE POEMAS
Mestra na sala de aula, mestra em recontar a vida. Adélia Prado escreve como quem fala para a vizinha, numa conversinha mansa, descansada, cheia de vocativos, remetendo a pessoas que espera serem velhas conhecidas do leitor. É a tia Ceição, a lavadeira Tina do Moisés, a Dorita. Mestra na emoção.
Não aquela emoção grandiosa das tragédias gregas. Não a emoção espetacular das tragédias das tevês. Não. Descreve e narra as emoções pequeninas, que povoam os corações de todas as pessoas. Como quando a gente promete visitar alguém e não vai, e fica se sentindo constrangido, depois. Como quando a inquietação atinge um casal, que começa a perceber dificuldades na relação a partir de mínimas evidências - "Abel e eu estamos precisando de férias. Quando começa a perguntar quem tirou de não sei onde a chave de não sei o quê, quando já de manhã espero não fazer comida à noite, estamos a pique de um estúpido enguiço."
Foi com essa sabedoria que coroou a sua participação na Feira Literária Internacional de Parati, de 9 a 13 de agosto. Disse ela: "poeta é o que consegue perceber o ordinário, qualquer tolo repara o incomum".
Com essa placidez de rio Itapecerica, que banha a sua mineira Divinópolis natal, Adélia espicaça o leitor e o ouvinte a obter funduras de pensamento. "O transe poético é o experimento de uma realidade anterior a você. Ela te observa e te ama. Isto é sagrado. É de Deus. É seu próprio olhar pondo nas coisas uma claridade inefável. Tentar dizê-la é o labor do poeta."
Foi exatamente sobre isso que conversou a poeta Adélia Prado, na Festa Literária Internacional de Parati. Disse que a nossa vida ficou "esvaziada de realidade". Estava numa mesa de debates, apropriadamente denominada Bagagem, título de seu primeiro livro. A pergunta que se fazia era esta: que livro você levaria para uma ilha deserta? Ela escolheu "A transparência do mal" de Jean Baudrillard. E explicou, docemente: "Escolhi esse livro porque ele mostra que o individuo é um ser único. Sem o horror, não há a possibilidade do amor. Sem o mal não existe o bem".
Arrebatou platéias, em Parati, como arrebatara antes o patrício Carlos Drummond de Andrade, que vaticinava no Jornal do Brasil, em 1975, numa crônica, a senda de sucesso da poeta. Levou muita gente às lágrimas, pela comovente simplicidade com que abordou assuntos tão variados quanto amor e política. Sobre política, lamentou que os brasileiros não tenham um "consciente político coletivo", arma, segundo ela, "capaz de dar um jeito no País". Disse mais: "Nem mesmo juventude transviada nós temos, no sentido de que eles não têm uma via para se desviar dela".
Filosofou: "O que confere dignidade é aquilo que dá sentido à vida."
Falou de pedagogia: "Liberdade absoluta é liberdade nenhuma. Liberdade é ter compromisso com alguma coisa".
Falou de caridade: "Você já nasce experimentando uma orfandade. São Francisco fez um texto muito bonito em que diz 'eu, velhozinho miserável'. Isso é reconhecer a necessidade da ajuda".
Falou de inspiração: "As paixões humanas são as mesmas em Nova York, em São Paulo e na roça. Não tem importância ficar lá".
Lá quer dizer Minas Gerais. Lá, lugar do qual dizia Guimarães Rosa: "Minas são muitas. Porém, poucos são aqueles que conhecem as mil faces das Gerais".
Adélia Prado conhece. Porque tem alma de poeta, porque faz da poesia o pão espiritual, a fonte vital. Porque é uma mulher que tem inspiração para escrever isto: "Uma ocasião, meu pai pintou a casa toda de alaranjado brilhante. Por muito tempo moramos numa casa, como ele mesmo dizia, constantemente amanhecendo."
Adélia é poeta porque é cândida. A cândida Adélia, prado de poemas.
Gabriel Chalita
Mestra na sala de aula, mestra em recontar a vida. Adélia Prado escreve como quem fala para a vizinha, numa conversinha mansa, descansada, cheia de vocativos, remetendo a pessoas que espera serem velhas conhecidas do leitor. É a tia Ceição, a lavadeira Tina do Moisés, a Dorita. Mestra na emoção.
Não aquela emoção grandiosa das tragédias gregas. Não a emoção espetacular das tragédias das tevês. Não. Descreve e narra as emoções pequeninas, que povoam os corações de todas as pessoas. Como quando a gente promete visitar alguém e não vai, e fica se sentindo constrangido, depois. Como quando a inquietação atinge um casal, que começa a perceber dificuldades na relação a partir de mínimas evidências - "Abel e eu estamos precisando de férias. Quando começa a perguntar quem tirou de não sei onde a chave de não sei o quê, quando já de manhã espero não fazer comida à noite, estamos a pique de um estúpido enguiço."
Foi com essa sabedoria que coroou a sua participação na Feira Literária Internacional de Parati, de 9 a 13 de agosto. Disse ela: "poeta é o que consegue perceber o ordinário, qualquer tolo repara o incomum".
Com essa placidez de rio Itapecerica, que banha a sua mineira Divinópolis natal, Adélia espicaça o leitor e o ouvinte a obter funduras de pensamento. "O transe poético é o experimento de uma realidade anterior a você. Ela te observa e te ama. Isto é sagrado. É de Deus. É seu próprio olhar pondo nas coisas uma claridade inefável. Tentar dizê-la é o labor do poeta."
Foi exatamente sobre isso que conversou a poeta Adélia Prado, na Festa Literária Internacional de Parati. Disse que a nossa vida ficou "esvaziada de realidade". Estava numa mesa de debates, apropriadamente denominada Bagagem, título de seu primeiro livro. A pergunta que se fazia era esta: que livro você levaria para uma ilha deserta? Ela escolheu "A transparência do mal" de Jean Baudrillard. E explicou, docemente: "Escolhi esse livro porque ele mostra que o individuo é um ser único. Sem o horror, não há a possibilidade do amor. Sem o mal não existe o bem".
Arrebatou platéias, em Parati, como arrebatara antes o patrício Carlos Drummond de Andrade, que vaticinava no Jornal do Brasil, em 1975, numa crônica, a senda de sucesso da poeta. Levou muita gente às lágrimas, pela comovente simplicidade com que abordou assuntos tão variados quanto amor e política. Sobre política, lamentou que os brasileiros não tenham um "consciente político coletivo", arma, segundo ela, "capaz de dar um jeito no País". Disse mais: "Nem mesmo juventude transviada nós temos, no sentido de que eles não têm uma via para se desviar dela".
Filosofou: "O que confere dignidade é aquilo que dá sentido à vida."
Falou de pedagogia: "Liberdade absoluta é liberdade nenhuma. Liberdade é ter compromisso com alguma coisa".
Falou de caridade: "Você já nasce experimentando uma orfandade. São Francisco fez um texto muito bonito em que diz 'eu, velhozinho miserável'. Isso é reconhecer a necessidade da ajuda".
Falou de inspiração: "As paixões humanas são as mesmas em Nova York, em São Paulo e na roça. Não tem importância ficar lá".
Lá quer dizer Minas Gerais. Lá, lugar do qual dizia Guimarães Rosa: "Minas são muitas. Porém, poucos são aqueles que conhecem as mil faces das Gerais".
Adélia Prado conhece. Porque tem alma de poeta, porque faz da poesia o pão espiritual, a fonte vital. Porque é uma mulher que tem inspiração para escrever isto: "Uma ocasião, meu pai pintou a casa toda de alaranjado brilhante. Por muito tempo moramos numa casa, como ele mesmo dizia, constantemente amanhecendo."
Adélia é poeta porque é cândida. A cândida Adélia, prado de poemas.
Postado por Letícia Valle
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