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06/08/2012

A Beleza do Porto (IV) ou As Cantigas de Córdoba


Ponte Romana de Córdoba
ebattuta.blogspot.com


Ao meu caro irmão J. Francisco Saraiva de Sousa 


El Rey Encantado 


Caro irmão Dr. Francisco,
Lamento pelos acontecimentos
que nos tornaram estranhos.

Bem sabes,
nada posso quanto
a um desejo do meu avô.

Chegou-me elle de Córdoba
com um noivo para casar-me.
Trouxe-o como parente que nos é
pelo sangue espanhol dos Valle.

— Deve ser um judeu andaluz, fugindo da Inquisição —
pensei eu raivosa.

Ah, mas foi vê-lo
e caiu-me por terra a teimosia.

Eis 
que a criatura é doce 
como o Mel de Uruçu,
gentil como quem ama-me há muito,
e esperou tanto encontrar-me
que, mesmo eu em desalinho,
achou-me bela.
Fremoso como um nobre,
olhos azuis de anjo.
Como bom trovador, tocou cantigas 
d’amôres de Reys.

Sinto, pois me curaste 
dos males tropicais.
No entanto, 
sei da tua clientela alvoroçada,
donde nenhuma falta farei.

Par Deus,
Doa, em meu nome,
a mesa de cedro
À Igreja de São Francisco do Porto.

Procura ler o juramento de Maimónides
pela Medicina, e sejamos
bons irmãos.
Saibas que estou corada 
e coroada
como uma romã.

Da irmã que te preza,

Letícia d'Albuquerque Maram. Valle
Capitania do Rio Grande
Sítio Estreito 
Villa de Jucurutu
Freguesia de Caicó 
Certam do Seridó 

VI/VIII/MMXII




«Tu Eterna Providencia me ha escogido para vigilar por la vida y la salud de Tus criaturas.
Que el amor por mi arte me guíe en todo tiempo.
Que ni la avaricia, ni la mezquindad, ni la sed de gloria ni de alta reputación, halaguen mi mente... porque los enemigos de la verdad y la misericordia podrían fácilmente engañarme y hacerme olvidar mis elevadas miras de hacer bien por Tus hijos.
Que jamás vea yo en el paciente otra cosa que un compañero en el dolor.
Concédeme siempre fuerza, tiempo y ocasión para corregir lo adquirido... para hacerlo siempre mejor porque la sabiduría es infinita y el espíritu del hombre puede siempre acrecentarla infinitamente con nuevos esfuerzos.
Hoy puede descubrir sus errores y mañana obtener una nueva luz sobre aquello mismo de que hoy se cree seguro.
Oh, Dios!... Tú me has escogido para vigilar por la vida y la salud de Tus criaturas: heme aquí dispuesto a seguir mi vocación!».
MAIMÓNIDES
Médico cabecera del sultán Saladino

Ciudad de Córdoba. Península Ibérica. Año 1185.

http://www.smu.org.uy/publicaciones/libros/laetica/nor-maimonides.htm


04/08/2012

as medidas do tempo (António José Cravo)




cacilda brandão_torreira



contas o tempo
em máquinas
e outros artefactos

acaso pensaste
no tempo de ser?

quantas horas
tem um minuto de dor?
quantos meses
um dia de fome?
quantos anos
um sorriso de uma criança?

quantos séculos
se inscrevem
nos rostos crestados
pela terra e o sal?

são de gente
os ponteiros
do meu relógio
diverso tempo
este

onde a morte
espreita

(António José Cravo)


22/06/2012

sobre o poema




moliceiro zé rito_torreira
o poema
nasce devagar
sem pressas
de ser
paciente
vai juntando palavras
dando colorido
aos dias que habita

o poema
é uma criança ainda
quando brinca na brancura
do papel
e faz sorrir quem o lê

escuta
fala-se
entrega-se
procura-se em

isso lhe basta
e já foi

13/05/2012

A beleza do Porto (III)


Ribeira do Porto em foto antiga
http://ignorancia.blogspot.com.br/2011/01/porto-um-paragrafo.html

Arrecifes e Porto do Recife (1875) Marc Ferrez/Acervo IMS
www1.folha.uol.com.br 

Ao meu amado português J. Francisco Saraiva de Sousa



Meu ruivo


Meu cavalheiro ruivo,
larga tuas armas,
essas palavras desesperançadas
daqueles que não amaram, 
cujos brasões não ardem mais,
cujas tochas já se apagaram, 
cujos cetros caíram,
e só reproduzem o pensamento de outrem.

Queres o quê? Que me atire às trombas d’água?
às correntezas dos rios me lance?
dos arrecifes me jogue aos corais afiados?
que eu rasgue meus faldistérios?
que não consiga nem colher o algodão no lagar
nem bordar meu enxoval?

Ah, meu ruivo,
vem à labuta procurar-me.
achar-me-ás lá, fiando a lã
para tecer-te outro par de meias,
d’aquelle que rasgaste furiosamente.
Espero que a nossa mesa de cedro-rosa esteja intacta.
lembra-te que o artesão
levou três meses para concluí-la.


da tua jabuticaba em flor.


Letícia d'Albuquerque Maranhão Valle
Da Capela Nossa Senhora das Candeias
Engenho Cunhaú
Canguaretama
Capitania do Rio Grande,
Do Fidalgo da Casa Real, o Capitão Mor Jerônimo d’Albuquerque Maranhão.
XIII/V/MMXII





Capela de N. S. das Candeias
Engenho Cunhaú
Foto do álbum: Andanças pelo Rio Grande do Norte



30/04/2012

A beleza do Porto (II)



Ao meu amado português J Francisco Saraiva de Sousa

São Francisco


Francisco,
uma beleza
que só santo tem.
faz um milagre
só para mim.

Vem, meu
branquinho
de faiança,
de louça,
numa mesa de festa.

Tu,
da brancura
de uma toalha de linho
lavada na pedra do rio
alvejada pelas minhas mãos.

Acendo-te uma
vela
mas, hoje,
vem
só para mim.

Letícia d'Albuquerque Maram. Valle

Capitania hereditária de Pernambuco,
do ilustre Dom Duarte Coelho Pereira.

Reyno de Portugal, do Brasil e das Terras d'Aquém e d'Além-mar.

Recife, XXX/IV/MMXII.


Foto de J Francisco Saraiva de Sousa







A beleza do Porto (I)


Ao meu amado português J. Francisco Saraiva de Sousa



Dr. Francisco

Ai, Dr. Francisco,
De Santo, Doutor, Poeta e Louco
Tens um pouco.
Por que não me vens curar
Dessa dor,
Que se alastra
Desterra-me
Para além-mar. . .

Guardo teu retrato
Debaixo da renda do criado-mudo
E o lencinho no meu peito
Tem bordadas as tuas iniciais.
Já perco saúde e juízo
De esperar a ama anunciar:
“Sinhazinha, é chegado o Dr. Francisco!!!”

Letícia d'Albuquerque Maram. Valle

Capitania hereditária de Pernambuco,
do ilustre Dom Duarte Coelho Pereira.


Reyno de Portugal, do Brasil e das Terras d'Aquém e d'Além-mar.

Recife, XXX/IV/MMXII.


J. Francisco de Sousa

cyberdemocracia.blogspot.pt

facebook.com/igor.sousa2



Pintura de Romero de Andrade Lima


28/04/2012

Gago Coutinho e Sacadura Cabral (II) - Hidroavião na Cidade do Recife


Hidroavião de Sacadura Cabral e Gago Coutinho. Primeira travessia da Europa para a América do Sul em avião, 1922.
Hidroavião aterrissando no Marco Zero.