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10/05/2013

Il Postino #3


Livros que comprei domingo, 05/05/13, na Livraria Cultura de Recife.
1. As Regras da Sedução, Madeline Hunter, Ed. Arqueiro.
2. O Duque e Eu, Julia Quinn, Ed. Arqueiro.
3. Desejo à Meia-Noite, Lisa Kleypas, Ed. Arqueiro.
4. O Fio, Victoria Hislop, Ed. Intrínseca.
5. A Culpa é das Estrelas, John Green, Ed. Intrínseca.


01/05/2013

Jedem das Seine?


Slogan nazi no portão de Buchenwald.
"A cada um o que merece."

“Menos de três anos viverá o pequeno Daniel Klausner. Dali a pouco virão matá-lo, para defender a Europa, para evitar que aconteça a consumação do

‘[...] sonho terrível da sedução de centenas, milhares de moças por asquerosos bastardos judeus de pernas tortas. Com alegria satânica no olhar, o judeu de cabelos negros espreita a moça [...] que ele contaminará com seu sangue repugnante... O objetivo final dos judeus é a destruição da nacionalidade [...] pela abastardização de outras nacionalidades e o rebaixamento do nível racial das nações superiores [...] num objetivo oculto [...] de destruir a raça branca [...] Se levarem cinco mil judeus para a Suécia, em pouco tempo eles se apossarão de todas as posições mais vitais [...] o veneno universal de todas as raças é o judaísmo internacional [...]’ 2

2. [Adolf Hitler, citado de Hermann Rauschning. Conversas com Hitler. Tel Aviv, Editora Rimon-Massada  (1941), do testamento de Hitler e de Joachim C. Fest. Hitler. Jerusalém, Editora Keter (1973).]

– Amós Oz, em seu livro “De Amor e Trevas”, ao falar da morte de seu primo Daniel Klausner, assassinado aos três anos de idade, com seus pais David e Malka Klausner. Citando a fala de Hitler.

in: Oz, Amós. De Amor e Trevas. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. p. 130. Tradução do hebraico de Milton Lando.


31/03/2013

meu pai, os livros e o Shabbat - Amós Oz


Livro de preces judaicas, Sinagoga Kahal Zur Israel, a primeira das Américas. Recife Antigo, Rua do Bom Jesus.

“Aconteceu por duas ou três vezes de não termos dinheiro para comprar os mantimentos para o shabat. Então minha mãe fitava meu pai bem nos olhos, e ele compreendia que era chegada a hora da escolha e se aproximava da estante de livros. Era um homem de sólidos princípios morais e sabia que o pão devia preceder os livros e que o mais importante de tudo devia ser o cuidado com o filho. Lembro-me bem de suas costas curvadas ao sair de casa, levando três ou quatro dos seus queridos livros. Com o coração apertado, ele ia à loja do sr. Meyer vender alguns exemplares valiosos como se os cortasse de sua própria carne. Assim curvadas certamente estavam as costas de Abraão ao sair de sua tenda de madrugada, carregando Isaac no ombro a caminho do monte Moriá.
Eu podia adivinhar seu sofrimento: meu pai tinha uma relação sensual com os livros. Gostava de apalpar, sentir, folhear, acariciar, cheirar. Era um insaciável caçador de livros, ia logo pegando e folheando, mesmo na biblioteca de desconhecidos. E a verdade é que os livros daquele tempo eram muito mais sensuais que os de hoje. Havia o que cheirar, e havia o que apalpar e acariciar. Havia livros com letras douradas gravadas sobre perfumadas encadernações de couro, levemente ásperas, cujo toque provocava arrepios na pele, como se você tocasse em algo oculto e desconhecido, algo que estremecesse um pouquinho ao toque dos dedos. E havia livros encadernados em cartão revestido de tecido, colados com uma cola de perfume extremamente voluptuoso. Cada livro tinha seu próprio odor secreto e excitante. Às vezes a encadernação de tecido se soltava um pouco do cartão, deixando entrever uma nesga, como uma saia muito curta, e era difícil resistir à tentação de dar uma espiada naquele espaço ensombrecido entre o corpo e a roupagem, e ali aspirar aquelas fragrâncias vertiginosas.” – Amós Oz, “De Amor e Trevas”. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. p. 31. Tradução do hebraico de Milton Lando.

30/03/2013

Amós Oz



Amós Oz (1939-)
"A única coisa que tínhamos em abundância eram livros. Incontáveis, de parede a parede, no corredor, na cozinha, na entrada e em todos os peitoris. Milhares de livros em todos os cantos da casa. Havia um sentimento de que as pessoas vão e vêm, nascem e morrem, mas os livros são eternos. Quando eu era pequeno, queria ser livro quando crescesse. Não escritor de livros, livro mesmo. Gente se pode matar como formigas. Escritores também não são tão difíceis de matar. Mas os livros, mesmo se os destruirmos metodicamente, sempre há chance de sobrar algum, nem que seja apenas um exemplar, a continuar sua vida de prateleira, eterna, discreta e silenciosa em uma estante esquecida de alguma biblioteca remota em Reykjavik, em Valladolid ou em Vancouver." – Amós Oz, “De Amor e Trevas”. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. pp. 30-31. Tradução do hebraico por Milton Lando.