olhos meus (5)



construo meticulosamente
o silêncio

formiga dos dias
carreio palavras
curvados os ombros de ser
peso
do senti-las assim
tão minhas, tão eu

navego em sensações
procuro não naufragar
de tanto
agarro-me a mim
sou-me cada vez mais

não me perguntes se
o sol se põe
se nasce
ou se é apenas a lua
é
fui eu que o fiz assim

na construção
do silêncio
as palavras
volvem-se em sons
ininteligíveis

também o sol

(António José Cravo)

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