Henrique Castriciano

— FEBRE —

Por toda a parte  rosas brancas vejo... 
Rosas na fímbria loira dos Altares, 
Coroadas de amor e de desejo... 
Rosas no céu e rosas nos pomares.

Uma roseira o mês de Maio. Aos pares  
Surgem, da brisa ao tremulante arpejo,  
Estrelas que recordam, sobre os mares,  
Rosas envoltas num cerúleo beijo. 

E quando Rosa, em cujo nome chora 
Esta febre cruel que me devora, 
De si me fala, em gargalhadas francas, 

Muda-se em rosa a flor de meus martírios,
O som de sua voz, a luz dos círios... 
O próprio Azul desfaz-se em rosas brancas.

      Henrique Castriciano (1874-1947) 

Henrique Castriciano de Sousa (Macaíba, 15 de março de 1874 — Natal, 26 de julho de 1947) foi um escritor e político brasileiro, fundador de uma instituição de ensino potiguar.
Filho de Eloi Castriciano de Sousa, comerciante e político em Macaíba, e Henriqueta Leopoldina Rodrigues, nasceu na rua do Porto (hoje Teodomiro Garcia), na então Vila de Macaíba, Rio Grande do Norte, onde viveu até 1879 quando, aos 18 anos, é acometido pela mesma tuberculose que matara o pai (com 38 anos) e a mãe (com 27 anos) nesse mesmo ano e acometera posteriormente a sua irmã, a então poetisa Auta de Sousa.
A avó materna Dindinha veio em junho de 1879 buscar os cinco netos órfãos e levou-os para o Sítio do Arraial, bairro do Recife. Logo separa-se dos irmãos Eloi (o mais velho), Auta e Irineu Leão (morto num incêndio em 1887) quando seus avós, como então era costume pelas famílias de posse na época, o encaminham a bem sucedidas viagens de cura à Suíça. Retorna à Macaíba em fins de 1890, com 16 anos, já escrevendo versos. Para terminar os estudos, transfere-se para o Recife e, em 1893, parte para a vila de Angicos onde aparentemente recupera a saúde. Em 1894 parte para a Serra de Martins com a intenção de consolidar a cura.
Apesar de viver sempre estudando, formou-se muito tarde, no Rio de Janeiro, aos 30 anos de idade. A moléstia atrasou sua carreira e sua vida. Passava sempre temporadas no interior do Estado, procurando melhores ares: Nessas estadas, lia muito e escrevia versos primorosos.
Em 1892 publica em Natal seu primeiro livro de versos, Iriações, e o segundo, Ruínas, sai em Fortaleza pela Tipografia Universal em 1899, com prefácio de Rodrigues de Carvalho. No mesmo ano publica Mãe, com prefácio de Olavo Bilac.
Recebe em mãos a compilação de versos da irmã Auta de Sousa sob o título de Dálias e, numa viagem ao Rio, em 1900, procura uma editora para a sua publicação. Olavo Bilac, seu amigo, aprecia a obra e se encarrega de prefaciar o livro, passando a se chamar "Horto" a pedido de Auta.
Concluiu seus estudos no Atheneu Norte Riograndense, dando início ao seu curso jurídico na Faculdade de Direito do Ceará, o qual formou-se como bacharel em 1908.
Foi secretário de governo e procurador geral do Estado. Eleito e reeleito seu Vice Governador e investido dessas funções, preside o Congresso Legislativo do Estado.
Estimulou a criação dos Grupos de Escoteiros de Natal, sendo homenageado, em Fortaleza (CE), pela União dos Escoteiros do Brasil/UEB, com a entrega da medalha Cruz de São Jorge pela introdução do escotismo no RN e seus serviços prestados à educação.
Foi redator do jornal "A República" durante mais de trinta anos e Secretário durante os governos de Alberto de Albuquerque Maranhão (onde cria a lei n.º 145 de 6 de agosto de 1900, que garantia a publicação de toda e qualquer obra de cunho literário ou científico de interesse reconhecido) e Augusto Tavares de Lyra, além de vice-governador de Joaquim Ferreira Chaves e Antônio José de Melo e Sousa.
Em meados de 1909 viaja para a Europa, levando a idéia de colher informações para uma escola doméstica, destinada a valorizar o cotidiano familiar e fazê-lo no plano da integração social da mulher, elevando-a pela técnica e dignificando-a pela consciência de sua indispensabilidade produtora. Viajou através da Suíça, Itália, Portugal, Espanha, França, Grécia, Egito e Palestina.
Em uma segunda viagem, em 27 de agosto de 1913, visitou a Bélgica e a Alemanha. Sua temporada nos sanatórios da Suíça e passagem na Bélgica foi a ressurreição para Henrique. Voltou remoçado, entusiasmado com o que vira no setor da educação popular. O resultado foi a criação de uma Liga de Ensino em 1911 e a fundação da Escola Doméstica em 1914. Fez-se professor emérito e foi fundador, ao lado de eminentes coestadanos, do complexo de ensino o qual engloba a Escola Doméstica de Natal, o Colégio Henrique Castriciano e hoje a Faculdade Natalense para o Desenvolvimento do RN – FARN.

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