A Filosofia segundo Rabi Moshe Chaim Luzzatto

Rabi Moshe Chaim Luzzatto (1707-1746)





O Mundo Como Labirinto


 A que isto se parece? A um jardim em labirinto, um tipo de jardim muito comum entre a classe dirigente e que é plantado apenas  para divertimento. Neste tipo de jardim, as plantas são arranjadas em forma de paredes, entre as quais podem ser encontrados diversos caminhos, que se entrelaçam num confuso traçado; eles são parecidos entre si e têm como principal propósito desafiar a pessoa a encontrar um belo palanque bem no meio do jardim. Alguns deles são retos e levam diretamente ao palanque; outros, porém, levam a pessoa a perder-se, fazendo-a vagar sem rumo. Quem percorre estes últimos não tem como perceber se está na rota verdadeira ou na falsa; pois os caminhos são semelhantes, não apresentando a seus olhos qualquer diferença. Ele não conseguirá alcançar seu objetivo, a menos que já esteja perfeitamente familiarizado e tenha o conhecimento visual dos caminhos que já percorreu anteriormente, quando conseguiu chegar à saída do labirinto. Entretanto, quem está numa posição privilegiada no palanque central do labirinto, consegue ver todos os caminhos e discernir quais os falsos e quais os verdadeiros. Nesta posição ele pode advertir e orientar aqueles que percorrem os caminhos internos do labirinto e dizer-lhes: "Este é o caminho, tome-o!". Quem nele acreditar chegará ao ponto designado; mas quem não estiver disposto a acreditar, confiando apenas no que seus olhos podem ver, continuará perdido e impossibilitado de alcançá-lo.
 O mesmo acontece em relação ao conceito que estamos discutindo. Quem ainda não conseguiu o domínio sobre sua inclinação malévola está perdido entre os caminhos e não pode diferenciá-los. Porém, os que governam e dominam sua inclinação malévola, que conseguiram chegar à saída do labirinto, deixando para trás aqueles caminhos tortuosos, podem ver claramente todas as alternativas e, estes sim, podem aconselhar quem está disposto a ouvir, acreditar e confiar.
 Mas qual é o conselho que nos dão? "Façamos uma verificação."; "Chequemos e computemos a contabilidade do mundo". Eles já experimentaram e já aprenderam que somente este é o caminho verdadeiro pelo qual se pode alcançar o bem, e que nenhum outro existe além deste.
 O que se depreende de tudo isto é que o homem deve constantemente - de forma permanente e, especificamente, em períodos de tempo por ele previamente estabelecidos - refletir acerca do verdadeiro caminho (em conformidade com os mandamentos da Torá) que o homem deve percorrer. Depois de ter se empenhado nesta reflexão, ele poderá chegar a ponderar se os seus atos estão em conformidade com este caminho. Procedendo assim, certamente ser-lhe-á mais fácil purificar-se de todo o mal e corrigir todos os seus caminhos. Como está dito nas Escrituras (Provérbios 4:26): 
"Reflete sobre a trajetória de teus pés e todos os teus caminhos serão firmes. Busquemos e pesquisemos nossos caminhos e então retornaremos a D-us".



LUZZATTO, Moshe Chaim. O Caminho dos Justos. Capítulo 3: Os Aspectos da Precaução. São Paulo: Editora Sefer, 1990. pp. 31-32.



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